Cansei-me da incógnita que é o amanhã, do sentimento de saudade que se apodera de mim, das promessas que ficam por cumprir, do beijo que nunca foi dado, do abraço que nunca foi sentido, da raiva que me corrói a alma, da loucura que não dá lugar à calma, das palavras ocas que me restam de ti, das memórias que o passado deixou. A fotografia que não voltei a ver, talvez o tempo a tenha levado sem querer, as cicatrizes que o amor deixou, em todo o meu corpo, em todo o meu ser. A desconfiança de um amor quase perfeito, de uma troca de olhares quase perfeita, daquele passeio na praia quase perfeito, da pessoa que amei... quase perfeita. O tempo jamais se encarregará de curar tudo, de alterar o quase por uma certeza, de sarar as feridas, de mudar as ideias que hoje tenho, de olhar para o amor como saudade do que senti, jamais apagará da memória, jamais fará com que deixe de encher paginas e paginas com o que sinto sem aquela lágrima no fim. Não quero mais idealizar o que no fundo não conheço, o que chamam de amor, não quero mais sentir que me entreguei totalmente ao que me pareceu ser verdadeiro e no fim sair com vergonha de mim mesmo, da prudência que não tomei, das consequências que não medi. Afinal o que é amar? São eternas as respostas, milhares as versões, as opiniões e as vivencias de cada um, mas certamente já existia esse sentimento antes de se chamar amor. É ilusão? Talvez, para quem sonha mais alto que a realidade. É felicidade? Para quem acredita nele. É traição? Para quem se atrai sem ser por quem se diz amar. É real? Não sei se existe, o que já senti, foi forte e sincero, mas amar, isso..quem sabe o que verdadeiramente é?
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